este ano as chuvas começaram mais cedo...
dias de amanhecer mais tarde,
corpo que teima em não acordar...
cobre as pistas com véu cintilante,
de cores mais vivas e reluzentes...
nos cobrimos com agasalhos embolorados,
e vamos, a passos vagos, caminhando.
hoje voltando do trabalho, cheguei numa conclusão brilhante:
não é tão diferente escolher um celular novo ou um novo amor!
primeiro idealizamos nosso objeto de desejo: uma boa forma, inteligente, lindo, cheio de qualidades...
mas... não dá pra ter os que estão no topo não é? ao menos que você possua cacife o bastante!
[ou se endivide!]
às vezes cometemos loucuras, e nos vemos numa enrascada...
ele pode ser complicado demais, e vem os problemas de entendimento...
e com o tempo descobrimos que nem é tão interessante assim...
até o dia que vão embora...
então vem o sentimento de raiva, de perda, e o desespero de ter que iniciar uma nova procura.
nunca estamos tão preparados, e ficamos tontos com as opções.
dependendo da nossa saúde financeira, já não somos mais tão exigentes.
e ficamos com aquele que possui cerca de 70% das qualidades do anterior,
porém sem parte das futilidades!
mas eles também nos deixam...
às vezes em momentos onde ainda saldamos dívidas contraídas ainda com o anterior...
e nosso nível de exigência passa a diminuir.
mais importante é atender nossas necessidades básicas...
aí podemos chegar num ponto bem crítico.
os anos se passaram e não dá para viver sem,
e acaba com um não tão bonito...
nem consegue exibir para os amigos...
e quando perguntam porque está com ele, responde:
esta noite me acordo com um sonho no mínimo bizarro,
sonhei que estava numa boate e não me lembrava se da última vez que estive lá,
tinha feito um streap-tease até ficar nu ou só de cueca...
na Man's Health deste mês veio um artigo com as verdades que os homens devem contar às mulheres... entre elas a que mais gostei foi a verdade número 12:
Posso mentir para você. Mas não é porque não te amo.
e nestes dias te desconheço, e não me reconheço...
quando me dizes descreditar no amor.
inevitável sentir-me fracassado.
caralho! o que mais fiz foi te oferecer o meu amor...
quando digo que não mais responderei sobre suas frustrações,
apenas quero me preservar...
talvez a chaga que abro cada vez que coloco na mesa meu amor,
esteja dolorida demais...
"pois você enxerga preto e branco e eu vermelho..."
e me sinto falando um dialeto morto.
"se você não me escuta eu não vou te chamar"
Não estranhe se eu sumir... fui alí me recuperar de você.
"I'm here, you're there
Come closer, tonight I'm lonely
Come here with me
I want it the way it used to be"
a falta que sentimos do outro...
o quanto é parte das nossas expectativas frustradas?
a saudade é da presença da pessoa ou da existência de sonhos?
e para onde vão os sonhos quando morrem?
vejo você, que não me quis por não acreditar na monogamia...
vejo você, que tem medo de dividir espaço...
vejo nós... separados pela falta de tempo...
nossas escolhas, por mais pensadas que sejam,
nos levam a caminhos desconhecidos...
não sinto falta do passado.
ele não é menos incerto que o presente, nem mais seguro.
não sinto falta de sonhos.
guardo em mim apenas o desejo,
de estar contigo de novo, mas sendo tudo novo.
Na verdade tem alguns bons anos que não compro nada desta empresa. Em parte por não gostar da qualidade dos produtos, mas isso não vem ao caso...
Neste mês, por conta do dia das mães, eles estão com esta campanha, dando a entender que beleza é mentir para a filhinha... contando uma fábula onde um peixinho solitário morre e vai viver num céu, junto com outros seres marinhos e lá encontra uma companheira...
Mas esta não é a primeira vez que uma campanha do boticário me incomoda... meses atrás a campanha era esta daqui de baixo, e lembro direitinho como me senti ofendido, sendo artista plástico, quando eles mostram pessoas "contagiadas pela beleza" pintando um muro grafitado de branco... revoltante!