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Sábado, Agosto 04, 2007
::fora da ordem::
lembro de pensar a alguns anos atrás que vivemos certos momentos...
e que estes momentos ocorrem quando temos certa idade...
mas deixamos as portas abertas e o vento vem derrubar tudo...
estes momentos se apresentariam com as perguntas de nossos amigos...
assim:
"ah, sabe quem tá grávida?"
"ah, advinha quem passou no vestibular?"
quem vai casar, quem vai morar só, quem conseguiu emprego...
aí pensava também: "eita, quando chegarmos numa certa idade será: 'menino, advinha quem morreu?'"
aí ríamos quando falava disso...
e me imaginava de cabelhos brancos, caminhando numa praça,
olhando os jovens e tendo pena deles por não se divertirem...
mas o vento derruba o vaso de vidro das convicções, e elas se epatifam...
e esta pergunta me chega antes d'eu completar os trinta...
e imaginava q só aos cinquenta teria de passar por estas dores...
sempre fui abençoado por não ter uma perda próxima,
mas tive... mais de uma, em tão pouco tempo... avc, infarto, aneurisma...
pessoas da minha idade, gente que via sonhos iguais aos meus refletidos nos olhos...
e eu achando q um tio meu que morreu aos 46 tinha morrido moço demais...
e vem o baque, do tempo desperdiçado com muitas promessas, e poucas ações...
e aquele telefonema tão adiado, aquele encontro nunca marcado, a tarde para rir do passado,
para sonhar o futuro...
materialização do vazio... a mais densa das substâncias...
quando nossas vistas no pregam peças e um vulto nos traz confusões...
"eita, ele!
...
...
...
...
[e não é... nem será nunca, não neste plano]"
emudecer... e nem mesmo um até logo...
posted by PAULO PINHEIRO at 12:38 AM ::comente e tempere o vinagre!::
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
::asssúcar::
me vejo, nesta semana, certo do fim de vários sonhos...
certo de que muitos deles nunca existiram...
certo de que devo acreditar nas pessoas quando elas dizem que fazem mal...
ótimo, obrigado por me avisar.
a idade me trouxe o desinteresse por lutas vãs...
quando mais novo me divertia em batalhas perdidas pelo sabor do jogo.
mas percebi que é aspartame, não nutre.
prefiro hoje o açúcar.
gosto do som de "açúcar", é para mim uma palavra muito sexy.
"asssúcar", pronunciado como se três "esses" houvesse...
sexy...
mas a cada dia as relações são mais aspartames...
um doce estranho, que deixa ranço na língua, um doce enjooso na ponta dos dedos...
e não contribuiu com nada substancial...
talvez tenha levado meus sonhos de açúcar para uma praia,
e tenha esquecido a cesta na areia,
e tenham se dissolvido numa onda...
solúvel...
solúvel como nossas certezas...
posted by PAULO PINHEIRO at 11:08 PM ::comente e tempere o vinagre!::
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